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Ressalto que este não é um blog informativo, atualizado, formal ou preocupado com qualquer coisa. Este blog é na verdade um apanhado de minhas memórias, mesclando jogos do São Paulo Futebol Clube com fatos de meu cotidiano. Sem pretensão alguma de ser nada além de um bloco de notas virtual em três cores, onde exercito o ato de escrever. Seja bem vindo em sua visita, volte sempre que quiser e sinta-se livre para comentar. Mas se por ventura se deparar com nomes de pessoas estranhas em meio aos textos, e situações aparentemente sem importância alguma, lembre-se: eis aqui simplesmente as memórias deste tricolor. Vamos São Paulo!
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

SPFC (92/93) 3x5 SPFC (2005)

#PraSempreMito

    Se contar com este jogo, tive a felicidade de ver Rogério Ceni atuar por 27 vezes. Balançar as redes em 3 ocasiões oficiais e uma vez na despedida. Vi muito mais defesas incríveis que jogos, pois foram muitas nessas ocasiões.
Vi Rogério como um técnico orientar o time no meio campo. Vi Rogério por diversas vezes cobrar lateral no calor do jogo. Vi Rogério dar carrinho e dividir com atacantes. Eu vi. E sou grato por isso. Por tudo o que vi no estádio e por todas as outras ocasiões em que estive vibrando por seus gols, títulos e defesas. Por ter mordido a língua quanto a não querê-lo no lugar do Zetti, meu primeiro ídolo. Mais uma vez, sou grato eterno capitão. Muito, mas muito obrigado!

   O dia:

    Demorou uma barbaridade para chegar. Principalmente faltando cerca de dois dias, a ansiedade estava enorme. Chegava à sonhar com a partida. E ela chegou e deixou marcas. Foi tudo lindo, nostálgico, histórico e inesquecível. 
    Nos encontramos na praça do CIC às 16:30. O que seria uma van, se tornou um ônibus. E o que era pra ser um ônibus nosso com alguns membros de uma organizada aqui de Sorocaba, acabou sendo nós, indo no ônibus deles. Por fim foi tudo bacana. Uma festa e cantoria daqui até o Morumbi. Onde o ônibus passou acabou chamando a atenção no trajeto. Em uma pausa na Castelo Branco, estendemos uma bandeira gigantesca que eles trouxeram em homenagem ao Mito na beira da pista, e os carros que passavam até mesmo do outro lado da rodovia fizeram buzinaço.

    Chegamos no estádio por volta das 19:20. A movimentação era imensa. Parecia jogo de Libertadores. E uma coisa era mais do que certa: todos com quem conversei, tinham total clareza do momento histórico que estávamos vivendo.


   O jogo:

    O estádio foi preparado de uma maneira magnífica. Recebemos bandeirinhas, foi liberada a venda de cerveja alcoólica e na compra ganhamos copos comemorativos e no primeiro contato com o gramado do alto do primeiro acesso da arquibancada azul, já se via que seria algo grande. 

    As três taças de mundial estavam posicionadas uma ao lado da outra no gramado próximo à arquibancada vermelha, para que mais tarde fossem erguidas pelos respectivos capitães campeões mundiais. 

    Às 20h, uma banda de abertura tocou alguns clássicos do rock escolhidos pelo Mito, enquanto os bandeirões começavam a ser agitados na arquibancada laranja, junto aos sinalizadores, deu um efeito incrível. Meia hora depois, as luzes se apagaram e os dois times foram apresentados. Um a um, cada jogador foi saudado pela torcida enquanto teve seu nome anunciado nos falantes do estádio. Alguns deles como Raí, Cafú, Zetti, Muller, Muricy, Mineiro, Aloísio e Lugano, quase causaram um colapso nas estruturas do estádio. Foi então que anunciado após a leitura de uma extensa lista de recordes e títulos, Rogério Ceni surge pela última vez como jogador nos gramados do Morumbi. Fogos, gritos, sinalizadores, fumaça, um momento inacreditável para de se estar ali.  

    Antes da bola rolar, Raí, Ronaldão e o Mito levantaram as taças de seus respectivos mundiais para o delírio dos presentes, e quando ela realmente rolou, era difícil o cérebro assimilar o que os olhos viam. 
    Meus olhos varriam o gramado. Começava por Rogério Ceni e passava pela linha de zaga Fabão, Lugano e Edcarlos. Ali estavam Mineiro e Josué acompanhando Raí que vinha de encontro. Cafú veloz durante todo o jogo tabelando com Juninho, que embora não tão fininho assim, correu o tempo todo e propiciou grandes jogadas. No "gol do portão", onde fez as históricas defesas na final da Libertadores 1992, lá estava Zetti novamente, com suas meias sobre a calça. Era realmente um momento de realização de sonhos para mim e muita gente ali. 
    É claro que o time de 2005, com alguns jogadores ainda em atividade, sobrou em disposição e preparo. Abriu dois gols muito cedo, etc. Mas o toque de bola do time 92/93, por diversas vezes foi de encher os olhos. 
    Pênalti para o esquadrão de Telê e a torcida clamou por Zetti que atravessou o campo e fez. Que sena. Era a noite de realizar todos os desejos dos torcedores. Rogério Ceni neste instante já havia pendurado as luvas e jogava como meia em seu time. Após muitas tentativas e simulações, quase no apagar das luzes na segunda etapa, o mesmo juiz que apitou a final do Mundial de 2005, assinalou pênalti para que o Mito realizasse a sua ultima cobrança e assinalasse guardasse.

    A bola rolou mais um pouco, até que nos falantes do estádio iniciou-se uma contagem regressiva de dez segundos. Rogério se agachou com as mãos no joelho, como lamentando a chegada do inadiável. Depois disso foram fogos, abraços e gritos da torcida.
    No centro de campo, o Mito fez seu discurso, agradeceu a todos, aposentou a camisa 01 e pediu para que quando morrer, suas cinzas sejam jogadas das arquibancadas do estádio. Foi emocionante. Fez então sua última volta olímpica e desceu o túnel pela última vez em sua carreira. 
    Agora, o que resta, são registros como os das páginas deste blog. Dos livros de história, dos documentários. O que resta é saudade e gratidão!
11-12-2015

SÃO PAULO F. C.(1992/1993) 3 X 5 SÃO PAULO F. C. (2005)
Amistoso - Jogo Despedida do Mito Rogério Ceni
Local: Estádio Cicero Pompeu de Toledo (Morumbi) - São Paulo/SP
11/12/2015 Sexta Feira 20:00 Hs
SPFC 2005: Rogério Ceni (Bosco, Flávio Kretzer); Fabão (Edcarlos), Lugano (Thiago Ribeiro) e Edcarlos (Rogério Ceni); Souza (Flávio Donizete), Mineiro (Renan), Josué e Junior; Thiago Ribeiro (Richarlyson), Aloísio (Alex Bruno) e Amoroso
Técnico: Paulo Autuori e Milton Cruz
 SPFC 1992/1993: Zetti (Marcos); Vitor, Adilson (Válber, Luis Carlos Goiano), Ronaldão (Gilmar) e André Luiz (Ronaldo Luís); Dinho, Toninho Cerezo (Pintado), Cafu, Juninho (Valdeir) e Raí (Jura); Müller (Guilherme, Doriva)
Técnico: Renê Santana e Muricy Ramalho
Gols: Amoroso, Aloísio,Cafu,Josué,Zetti (pênalti),Thiago Ribeiro e Rogério Ceni (pênalti)
Árbitro: Benito Armando Archundía Tellez
Árbitro Assistente 1: Arturo Velasquez
Público: 67.052

domingo, 27 de março de 2011

Vinte e sete de março de 2011


Vinte e sete de março de 2011.
   Chego do trabalho por volta das 15:00h, tomo um bom banho, saio para buscar uma cervejinha e ao voltar me aconchego no sofá de casa da maneira mais confortável possível. Era tarde de clássico, mais que um clássico, era tarde de São Paulo x Corinthians. A situação era de um Tricolor, que muito acostumado a ter o Corinthians como freguês, não vencia o rival há quatro anos. Um incômodo jejum que precisava ser quebrado naquela tarde, o que por si já seria um bom motivo para ser um jogaço, mas havia ainda mais.
Rogério Ceni, Mito, o maior ídolo e lenda da história do São Paulo Futebol Clube, acabara de atingir a inacreditável marca de 99 gols na partida anterior contra o Paulista de Jundiaí, em uma das poucas ocasiões onde deixou sua marca no placar e o São Paulo saiu da partida com resultado negativo,3 a 2 para o time do interior paulista.
   O Tricolor precisava de uma vitória, e a oportunidade contra nossa vítima favorita poderia ficar marcado para sempre na história do futebol mundial, como: o dia em que um goleiro atingiu a sonora marca de 100 gols.
   O palco do jogo foi a Arena Barueri. O Tricolor tinha o mando mas estava realizando jogos fora do Morumbi devido ao aluguel do “Sacrossanto” para realização de shows internacionais. Em uma tarde quente e de muita expectativa para ambas as torcidas, os dois times entram em campo para a partida que TV início às 16:00h. Rogério Ceni como sempre muito rodeado de crianças e desta vez com um uniforme diferente, dourado com detalhes em vermelho e preto, destacando-se entre o time trajando o tradicional uniforme branco.
   Tudo pronto, autoriza o árbitro, rola a bola. Os dois times cautelosos mas começando com uma velocidade pouco acima do normal. O Corinthians arrisca, Miranda em uma roubada de bola na área, achou estar com a situação controlada e não vê Liedson bancar o ladrão e causar perigo contra a meta tricolor. O jogo se desenrola lá e cá, e quando o primeiro tempo parecia que chegaria ao final sem sair do zero, após uma jogada confusa no meio-campo, Dagoberto ajeita e acerta uma pancada à meia altura de fora da área, no canto direito de Julio Cesar, que não teve como alcançar o chute. O Tricolor vai pro intervalo na frente, 1 a 0. Torcida tricolor em festa, mas o segundo tempo prometia mais.
   Quendo a bola rola novamente, o jogo segue muito movimentado, com o Tricolor pressionando, quando em uma das primeiras investidas ao ataque, Fernandinho tenta jogada individual na intermediária esquerda e tentando passar por um zagueiro“recebe falta”. Um pouco distante, não tão propícia para as cobranças que costumam ser cobradas por Rogério Ceni, a torcida mais uma vez gritou seu nome, alguns segundos de suspense, talvez não fosse posição para ele, mas ele deixou as três traves e caminhou...
   Acredito que o tempo começou a passar em câmera lenta naquele instante.O homem com a camisa  dourada atravessava o campo, fisionomia fechada, o goleiro dos 99 gols, de tantas outras glórias. De 20 anos defendendo uma única camisa, que fez de seu clube a sua seleção e do Morumbi o seu templo.
Naquele instante, eu em meu sofá, mesmo sabendo que o posicionamento para a cobrança tinha um grau um pouco elevado de dificuldade para os tipos de falta que Rogério costumava converter com perfeição, sentia que estava prestes à presenciar um momento histórico para o futebol mundial, e por impulso,peguei meu celular e deixei filmando enquanto observava e torcia. 
   Vi Julio Cesar posicionar a barreira visivelmente nervoso, Ceni andava para a direita e para a esquerda, observando qual seria o melhor espaço para o trajeto da bola em direção ao gol. Ele conversa com Carlinhos Paraíba, jogador canhoto, que disse posteriormente que Rogério quase não bateu a falta por achar que a posição era muito mais propícia para um canhoto (o que não deixava de ser verdade), mas Carlinhos sabia que a ocasião e a oportunidade era aquela, e discordou do Mito, acenando que não, que o momento era dele.
   Ceni toma distância; olha fixo para o gol. Acredito que todo apaixonado por futebol, são-paulino ou não, que acompanhava a partida naquele momento, prendeu respiração naquele instante. Então o árbitro autoriza a cobrança, Rogério parte e chuta...
   A bola passa por cima da barreira com uma curva perfeita, os jogadores perfilados apenas acompanham com os olhos a trajetória da bola. Julio Cesar se estica todo e até chega à relar os dedos na bola, mas ela passa caprichosamente e estufa a rede no ângulo direito da meta corinthiana...
Rogério Ceni, o ídolo, o Mito, é também o maior goleiro artilheiro da história do futebol mundial e naquele instante atinge a inacreditável marca de 100 gols!
   Vibrei sozinho em casa, mas simultaneamente vibraram comigo tricolores de todo país e do mundo. De alegria! De orgulho de sermos torcedores de um time tri-campeão mundial, que tem Rogério Ceni , mais que um goleiro, uma lenda viva das três traves. Um símbolo de uma torcida e de uma nação são-paulina, agora eternizado por mais esta marca histórica e melhor: sobre nossa vítima favorita.
   Na comemoração exaltada, Ceni em uma explosão de euforia corre em direção à torcida girando a camisa e é cercado e derrubado pelos companheiros da equipe. Uma grande queima de fogos se inicia e o telão do estádio anuncia: Rogério Ceni 100 gols. É dia de festa para o torcedor são-paulino!
   Após receber com reverencia um cartão amarelo pela demora e por ter tirado a camisa, Rogério retorna ao gol para o mísero detalhe de jogar o resto da partida. O adversário ainda diminuiu o placar, o que passou despercebido diante da grandiosidade daquela tarde.
   Fim de jogo. São Paulo 2X1 Corinthians. O verdadeiro centenário. A queda de um tabu. A história sendo escrita ali, naquela partida de Campeonato Paulista, que já está eternizada em nossas memórias e em nossos corações.

Mais uma vez, parabéns Rogério Ceni! Parabéns Mito!
Por Ronie John

domingo, 17 de outubro de 2010

São Paulo 4x3 Santos


Em jogo épico no Morumbi, Tricolor bate Santos por 4 a 3.
Um jogo à 200km por hora, com um gol relâmpago do Santos aos 3 minutos do primeiro tempo e uma rápida reação do Tricolor. 
Cheguei do trabalho, corri buscar um cerveja. A Amanda havia ido ao Hopi Hari com os irmãos e eu, sozinho, acompanhei o jogaço em casa. Bobeei e perdi os cinco primeiros minutos no banho, quando saí já estava um a zero pro Santos. 
Foi no mínimo raríssimo um primeiro tempo cujo aos 26 minutos o placar já se encontrava assim: SPFC 3x2 Santos. Excepcional! Na segunda etapa, Neymar empata de pênalti, o jogo segue emocionante até seus ultimos instantes, quando aos 48' do segundo tempo, após muito pressionar, o SPFC faz 4 a 3 com o garoto Jean de cabeça, que se emociona ao comemorar o gol (foto 2). O melhor jogo do ano para o Tricolor que fez uma fraca campanha no Brasileirão 2010. Foto destaque acima, o grande Miranda!

São Paulo 4x3 Santos
Data: 17/10/2010, Hora: 18:30
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo-SP.
Público e Renda: 23.791 - R$ 684.279,59.
Árbitro: Sandra Meira Ricci (DF).
Auxiliares: Emerson Augusto de Carvalho(SP) e Márcio Luiz Augusto (SP).
Cartões Amarelos: Jean, Alex Silva, Ricardo Oliveira e Dagoberto(São Paulo). Danilo, Felipe Anderson, Pará e Edu Dracena (Santos).
Cartão Vermelho: Richarlyson (São Paulo).
Gols: Alan Patrick aos 3/1T, Dagoberto aos 6/1T e 16/1T, Pará(Contra) aos 19/1T, Zé Eduardo aos 20/1T. Neymar aos 26/2T e Jean aos 48/2T.
São Paulo: Rogério Ceni, Jean, Alex Silva, Miranda e Richarlyson; Rodrigo Souto, Carlinhos Paraíba e Lucas(Renato Silva); Dagoberto (Marlos) e Fernandinho(Diogo); Ricardo Oliveira. Técnico: Paulo César Carpegiani.
Santos: Rafael, Pará(Maranhão), Edu Dracena, Durval e Alex Sandro, Roberto Brum (Felipe Anderson), Arouca, Danilo e Alan Patrick; Neymar e Zé Eduardo. Técnico: Marcelo Martelotte.