Se contar com este jogo, tive a felicidade de ver Rogério Ceni atuar por 27 vezes. Balançar as redes em 3 ocasiões oficiais e uma vez na despedida. Vi muito mais defesas incríveis que jogos, pois foram muitas nessas ocasiões.
Vi Rogério como um técnico orientar o time no meio campo. Vi Rogério por diversas vezes cobrar lateral no calor do jogo. Vi Rogério dar carrinho e dividir com atacantes. Eu vi. E sou grato por isso. Por tudo o que vi no estádio e por todas as outras ocasiões em que estive vibrando por seus gols, títulos e defesas. Por ter mordido a língua quanto a não querê-lo no lugar do Zetti, meu primeiro ídolo. Mais uma vez, sou grato eterno capitão. Muito, mas muito obrigado!
O dia:
Demorou uma barbaridade para chegar. Principalmente faltando cerca de dois dias, a ansiedade estava enorme. Chegava à sonhar com a partida. E ela chegou e deixou marcas. Foi tudo lindo, nostálgico, histórico e inesquecível.
Nos encontramos na praça do CIC às 16:30. O que seria uma van, se tornou um ônibus. E o que era pra ser um ônibus nosso com alguns membros de uma organizada aqui de Sorocaba, acabou sendo nós, indo no ônibus deles. Por fim foi tudo bacana. Uma festa e cantoria daqui até o Morumbi. Onde o ônibus passou acabou chamando a atenção no trajeto. Em uma pausa na Castelo Branco, estendemos uma bandeira gigantesca que eles trouxeram em homenagem ao Mito na beira da pista, e os carros que passavam até mesmo do outro lado da rodovia fizeram buzinaço.Chegamos no estádio por volta das 19:20. A movimentação era imensa. Parecia jogo de Libertadores. E uma coisa era mais do que certa: todos com quem conversei, tinham total clareza do momento histórico que estávamos vivendo.
O jogo:
O estádio foi preparado de uma maneira magnífica. Recebemos bandeirinhas, foi liberada a venda de cerveja alcoólica e na compra ganhamos copos comemorativos e no primeiro contato com o gramado do alto do primeiro acesso da arquibancada azul, já se via que seria algo grande. As três taças de mundial estavam posicionadas uma ao lado da outra no gramado próximo à arquibancada vermelha, para que mais tarde fossem erguidas pelos respectivos capitães campeões mundiais.
Às 20h, uma banda de abertura tocou alguns clássicos do rock escolhidos pelo Mito, enquanto os bandeirões começavam a ser agitados na arquibancada laranja, junto aos sinalizadores, deu um efeito incrível. Meia hora depois, as luzes se apagaram e os dois times foram apresentados. Um a um, cada jogador foi saudado pela torcida enquanto teve seu nome anunciado nos falantes do estádio. Alguns deles como Raí, Cafú, Zetti, Muller, Muricy, Mineiro, Aloísio e Lugano, quase causaram um colapso nas estruturas do estádio. Foi então que anunciado após a leitura de uma extensa lista de recordes e títulos, Rogério Ceni surge pela última vez como jogador nos gramados do Morumbi. Fogos, gritos, sinalizadores, fumaça, um momento inacreditável para de se estar ali. Antes da bola rolar, Raí, Ronaldão e o Mito levantaram as taças de seus respectivos mundiais para o delírio dos presentes, e quando ela realmente rolou, era difícil o cérebro assimilar o que os olhos viam.
Meus olhos varriam o gramado. Começava por Rogério Ceni e passava pela linha de zaga Fabão, Lugano e Edcarlos. Ali estavam Mineiro e Josué acompanhando Raí que vinha de encontro. Cafú veloz durante todo o jogo tabelando com Juninho, que embora não tão fininho assim, correu o tempo todo e propiciou grandes jogadas. No "gol do portão", onde fez as históricas defesas na final da Libertadores 1992, lá estava Zetti novamente, com suas meias sobre a calça. Era realmente um momento de realização de sonhos para mim e muita gente ali.
É claro que o time de 2005, com alguns jogadores ainda em atividade, sobrou em disposição e preparo. Abriu dois gols muito cedo, etc. Mas o toque de bola do time 92/93, por diversas vezes foi de encher os olhos. Pênalti para o esquadrão de Telê e a torcida clamou por Zetti que atravessou o campo e fez. Que sena. Era a noite de realizar todos os desejos dos torcedores. Rogério Ceni neste instante já havia pendurado as luvas e jogava como meia em seu time. Após muitas tentativas e simulações, quase no apagar das luzes na segunda etapa, o mesmo juiz que apitou a final do Mundial de 2005, assinalou pênalti para que o Mito realizasse a sua ultima cobrança e assinalasse guardasse.
A bola rolou mais um pouco, até que nos falantes do estádio iniciou-se uma contagem regressiva de dez segundos. Rogério se agachou com as mãos no joelho, como lamentando a chegada do inadiável. Depois disso foram fogos, abraços e gritos da torcida.
No centro de campo, o Mito fez seu discurso, agradeceu a todos, aposentou a camisa 01 e pediu para que quando morrer, suas cinzas sejam jogadas das arquibancadas do estádio. Foi emocionante. Fez então sua última volta olímpica e desceu o túnel pela última vez em sua carreira. Agora, o que resta, são registros como os das páginas deste blog. Dos livros de história, dos documentários. O que resta é saudade e gratidão!
11-12-2015
SÃO PAULO F. C.(1992/1993) 3 X 5 SÃO PAULO F. C. (2005)
Amistoso - Jogo Despedida do Mito Rogério Ceni
Local: Estádio Cicero Pompeu de Toledo (Morumbi) - São Paulo/SP
11/12/2015 Sexta Feira 20:00 Hs
SPFC 2005: Rogério Ceni (Bosco, Flávio Kretzer); Fabão (Edcarlos), Lugano (Thiago Ribeiro) e Edcarlos (Rogério Ceni); Souza (Flávio Donizete), Mineiro (Renan), Josué e Junior; Thiago Ribeiro (Richarlyson), Aloísio (Alex Bruno) e Amoroso
Técnico: Paulo Autuori e Milton Cruz
SPFC 1992/1993: Zetti (Marcos); Vitor, Adilson (Válber, Luis Carlos Goiano), Ronaldão (Gilmar) e André Luiz (Ronaldo Luís); Dinho, Toninho Cerezo (Pintado), Cafu, Juninho (Valdeir) e Raí (Jura); Müller (Guilherme, Doriva)
Técnico: Renê Santana e Muricy Ramalho
Gols: Amoroso, Aloísio,Cafu,Josué,Zetti (pênalti),Thiago Ribeiro e Rogério Ceni (pênalti)
Árbitro: Benito Armando Archundía Tellez
Árbitro Assistente 1: Arturo Velasquez
Público: 67.052







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